Sentada no chão do quarto, envolta em notas dedilhadas que ondulam no ar, leio livros dos segredos de tempos desaparecidos.
Aqueles livros encetados em data incerta, onde falo de amores sem nome escrito, tão intensos e celestiais que ainda hoje tremo quando entro na estória, avivam-me saudades da magia que tive o previlégio de viver.
Hoje, tudo é tão banal e terreno que frequentemente não me reconheço.
Onde foi que deixei ficar a minha magia?!
26.1.12
23.1.12
Acredita filha....
http://www.tvi.iol.pt/mediacenter.html?gal_id=128753&mul_id=13560636&load=1&pagina=1&pos=0
Hoje foi um dos dias mais felizes e no entanto mais tristes da minha vida sem Ti.
Ainda que continue com a plena noção que é a tua mão que está metida nisto tudo que me anda a acontecer. Ainda que saiba que agora estás em todo o lado, sempre a meu lado, a ver-me, o facto de não poder partilhar presencialmente contigo, não poder telefonar-te, não poder ouvir a tua voz de orgulho, as tuas palavras de força e incentivo.... (Tu que sempre, sempre, sempre acreditaste em mim. Que sempre disseste que era (sou) uma líder nata. Que tenho uma missão, que vou longe. Tu que sempre me puxaste para cima do beco mais escuro e lamacento onde me pudesse encontrar.) foi como se nada tivesse acontecido.
Queria tanto ter-te a meu lado neste momento da minha vida.
A ironia de não estares aqui deixa-me insana de revolta.
A injustiça desta separação forçada continua a consumir-me... Anseio pelo momento em que voltemos a estar juntas.
Um beijo, meu amor, um beijo.
Hoje foi um dos dias mais felizes e no entanto mais tristes da minha vida sem Ti.
Ainda que continue com a plena noção que é a tua mão que está metida nisto tudo que me anda a acontecer. Ainda que saiba que agora estás em todo o lado, sempre a meu lado, a ver-me, o facto de não poder partilhar presencialmente contigo, não poder telefonar-te, não poder ouvir a tua voz de orgulho, as tuas palavras de força e incentivo.... (Tu que sempre, sempre, sempre acreditaste em mim. Que sempre disseste que era (sou) uma líder nata. Que tenho uma missão, que vou longe. Tu que sempre me puxaste para cima do beco mais escuro e lamacento onde me pudesse encontrar.) foi como se nada tivesse acontecido.
Queria tanto ter-te a meu lado neste momento da minha vida.
A ironia de não estares aqui deixa-me insana de revolta.
A injustiça desta separação forçada continua a consumir-me... Anseio pelo momento em que voltemos a estar juntas.
Um beijo, meu amor, um beijo.
1.12.11
1.11.11
desde que partiste, a cada dia que passa me torno mais feia.
não há vontade para me tratar bem, para me cuidar. Sou feia sem ti. Sou má e não tenho razão para não o ser.
Sou feia
e Invejo profundamente todos aqueles que têm mãe.
A familia sem ti, deixou de o ser. Já nao pertenço lá. Sou uma estranha numa casa que conheço de cor....
sem ti, não sei de mim.
Desculpa a minha fraqueza. Perdoa o meu egoismo.
Nunca mais senti calor, desde que perdi o teu abraço.
Meu mais brilhante amor
31.10.11
28.10.11
29.8.11
Só para te dizer que não tenho andado por aqui porque não tenho tempo nem para ir à casa de banho.
Telefonaram-me do programa da Julia Pinheiro, um tal de "Querida Julia".
Vamos lá na quarta feira apresentar o mo.ca.
Só para te dizer que foste a primeira pessoa em que pensei quando me ligaram.
Só para te dizer que ando a sair-me bem, graças às tuas "cunhas" que tanto gostas de usar.
Só para te dizer, mais uma vez, que a luta sem ti, não consegue ter sequer metade da piada.
Um beijo meu amor, um beijo.
Telefonaram-me do programa da Julia Pinheiro, um tal de "Querida Julia".
Vamos lá na quarta feira apresentar o mo.ca.
Só para te dizer que foste a primeira pessoa em que pensei quando me ligaram.
Só para te dizer que ando a sair-me bem, graças às tuas "cunhas" que tanto gostas de usar.
Só para te dizer, mais uma vez, que a luta sem ti, não consegue ter sequer metade da piada.
Um beijo meu amor, um beijo.
21.8.11
José Mário Branco e GAC - Ronda do Soldadinho
A agonia da saudade cresce a cada nascer do Sol sem Ti!
um beijo meu amor, um beijo!
um beijo meu amor, um beijo!
18.8.11
6.8.11
São 11 da manhã de Sábado. Estou a trabalhar como tantas outras vezes. Chove como se fosse Inverno. Não entra ninguém aqui. Não anda ninguém na rua....
Há 2 meses atrás, a esta hora já teríamos falado pelo menos 2 vezes, nem que fosse só para dizer "bom dia".
Desde que te levaram, sinto-me sempre só.
um beijo, meu amor. um beijo.
31.7.11
Queria eu ontem paz para estar comigo, para te ouvir dentro de mim, para te escrever mais uma carta, para pensar-te livremente e reflectir sobre o tempo que passou desde que deixei de poder tocar-te. (1 mês... e há dias em que parece que foi ontem, outros em que parece ter sido há anos... a relatividade do tempo, o tempo que não tiveste, o tempo que nos roubaram, tanto tempo, tanto tempo).
A vida continua, ninguém sabe da minha vontade e para lamurias já bastam os outros; que Guerreira me chamaste e Guerreira hei de ser só para ti, para que te orgulhes de mim, para que não te envergonhes do que sou, para que eu possa dizer a todos de onde veio a minha garra e tu possas dizer de peito cheio que "eu sou tua"!
Quero tanto que te orgulhes de mim!
Quero tanto que te orgulhes de mim!
Sabes, não tiro o teu anel diário do meu dedo, ainda que o tenha de usar no indicador e que ele esteja sempre a tentar fugir de lá de tão grande que é. Não, tenho coragem para o mandar apertar.
Fomos ontem ao aniversário de um amigo do Jorge. Eram uns quantos de todas as idades: uns novos outros mais maduros, uns grávidos outros já não. Filhos em todo o lado e pais espalhados pela casa. As mães na cozinha e mesmo as mais velhas, não chegam aos teus calcanhares. Nunca ninguém chega aos teus calcanhares.
Agarrei-me um pouco aos mais crescidos e no meio deles alguém trauteava adivinhas antigas, daquelas que tu também conheces e contigo ficaram guardadas. Entre elas uma foi dita por um homem de olhos brilhantes, que entusiasmado pela curiosidade da incógnita da resposta disse:
- "Verde foi meu nascimento e de luto me vesti. Para dar a luz ao mundo mil tormentos padeci."
- É a azeitona! - Gritei eu, instantaneamente, no meio de uma conversa a que assistia, com aquele sorriso que tu gostas, com os poros a libertarem água que em mim, desde que te levaram, não sai em forma de lágrimas mas sim de suor. :)
- "Verde foi meu nascimento e de luto me vesti. Para dar a luz ao mundo mil tormentos padeci."
- É a azeitona! - Gritei eu, instantaneamente, no meio de uma conversa a que assistia, com aquele sorriso que tu gostas, com os poros a libertarem água que em mim, desde que te levaram, não sai em forma de lágrimas mas sim de suor. :)
És Tu a falar, eu sei!
És Tu a fazeres-te sentir, eu sei!
Estás sempre comigo, eu sei!
Tenho saudades Tuas, Tu sabes!
Agradeço-te novamente o Balão de S. João. Preciso dele como de água para viver. E tu, sempre tão atenta e conhecedora de mim como ninguém, mesmo na dor que acredito que sintas por não estares aqui, não me deixas só.
Agradeço-te também a visita nocturna de hoje. Custou-me acordar de tão banal sonho: uma situação tantas vezes repetida, a rotina que nos faz família e nos une para sempre. Sabes, estes hábitos, ainda que criados pela educação, tornam-se genéticos com o uso.
Estava capaz de te levar comigo para a vida real. Ainda acredito que poderei vir a tocar-te outra vez.
Quero falar contigo horas a fio, almoçar num restaurante vegetariano qualquer onde só tu tens prazer em me acompanhar. Quero atender as tuas duzentas mil chamadas diárias e fazer-te outras tantas só porque sim, porque os dedos instintivamente digitam o teu numero no telefone.
Queria eu ontem paz para estar comigo, para ver todos os papelinhos escritos por ti, os postais de aniversário, os números de telefone de alguém, os apontamentos de receitas e caterings que fizemos juntas.
Minha companheira de Luta!
Minha força, Meu incentivo
Minha Mãe!
29.7.11
andam a passar por cima das Tuas regras com a desculpa da dor da tua ausência... afasto-me eu deles, com a desculpa da arrogância pois não consigo compactuar com semelhante falta de respeito por Ti.
Espero que consigas perdoar o meu radicalismo e que entendas que esta postura é fundamental à minha sobrevivência aqui.
Magoa-me entrar lá e ver que a casa agora é de outra família da qual não faço parte.
Saudades da tua perspicácia!
Saudades tantas que o meu coração lentamente transforma-se em pedra para as aguentar!
Espero que consigas perdoar o meu radicalismo e que entendas que esta postura é fundamental à minha sobrevivência aqui.
Magoa-me entrar lá e ver que a casa agora é de outra família da qual não faço parte.
Saudades da tua perspicácia!
Saudades tantas que o meu coração lentamente transforma-se em pedra para as aguentar!
17.7.11
Cartas de mim para Ti
Sabes Mãe, (claro que sabes, mas apetece-me dizer-te outra vez) hoje apareci na televisão com o meu novo projecto para tentar vingar na Vida. É aquele de mobiliário de cartão que tu foste forçada a passar uma tarde inteira a ouvir e a reouvir o video lá na tua sala, enquanto eu e o Jorge o editávamos para enviarmos para o massimov.
Aparecemos no Telejornal da hora do almoço da RTP em grande plano e fomos apresentados como o 1ª caso de sucesso na 1ª plataforma de Crowdfunding em Portugal. Que bem, hein?! :)
Senti uma vontade tremenda de te ligar a dizer: "Põe na 1"... mas agora o teu telemóvel já foi desligado e já não posso mais fazer brincadeiras destas contigo! A vida pregou-nos cá uma rasteira, que nem tenho palavras para a descrever....
Acalmei-me e procurei-te em mim (porque eu sei que sou tua; e de mim, nunca hás de desaparecer) Depois, deixei-me ligar-me a ti e fui a correr abraçar-te :)
-Meu Amor, minha Guerreira, muitos parabéns, eu apoio-te em tudo! :) -disseste tu como dizes sempre, com esse orgulho e alento que só tu sabes sentir e dar.
És tão singular e insubstituível, Mãe. Tão insubstituível, tão insubstituível....
As saudades crescem de dia para dia, mas eu não vou abaixo. Tu também não foste! Como poderia eu ir?! Ensinaste bem a lição e criaste aqui uma familia à maneira. :)
Somos lutadores e resistentes como tu! E aqui, ninguém abdica da felicidade. Ninguém deixa de ver o lado positivo de tudo. Devemos-te isso para sempre!
E olha que tu sabes bem como sou... mas desde daquele dia, que tento (e consigo) todos os dias ver o lado bom de tudo e adaptar-me à vida, para poder Vivê-la! como Tu tantas vezes me aconselhaste.
À tarde fomos montar o novo espaço para o mo.ca.. Tenho a certeza que não ias gostar... é um bocado freak, eu sei. Mas é barato e tem muita luz e muita gente diferente para eu poder aprender coisas novas. Acredito que ali possamos vingar. :)
Sabes, depois de montar as mesas, lembrei-me logo de Ti! Percebi a história das camilhas e saiu-me um:
-Vou pedir à minha Mãe para fazer uma camilha para aqui.
Fiquei tão feliz com o que disse :) Tenho a certeza absoluta que foste tu a falar. Mas não te preocupes, vou fazer uma! E vai ser na tua máquina de costura, com uns galões quaisquer que hei de encontrar por lá :)
Vai ficar linda, tenho a certeza.
Ah, e vou prender tudo com pioneses, como tu fazias aqui!!!!! hehehehe
Espero que te entreguem esta carta aínda hoje, pois estou cheia de curiosidade em ver que balão de S. João me vais enviar como resposta a ela.
Não te esqueças: és o meu primeiro pensamento ao acordar!
Muitos abraços meus para ti, daqueles que só tu sabes aguentar :)
PS- obrigada por me teres visitado hoje nos sonhos :) Foi uma delícia ter-te tão perto :)
mais um beijo
Aparecemos no Telejornal da hora do almoço da RTP em grande plano e fomos apresentados como o 1ª caso de sucesso na 1ª plataforma de Crowdfunding em Portugal. Que bem, hein?! :)
Senti uma vontade tremenda de te ligar a dizer: "Põe na 1"... mas agora o teu telemóvel já foi desligado e já não posso mais fazer brincadeiras destas contigo! A vida pregou-nos cá uma rasteira, que nem tenho palavras para a descrever....
Acalmei-me e procurei-te em mim (porque eu sei que sou tua; e de mim, nunca hás de desaparecer) Depois, deixei-me ligar-me a ti e fui a correr abraçar-te :)
-Meu Amor, minha Guerreira, muitos parabéns, eu apoio-te em tudo! :) -disseste tu como dizes sempre, com esse orgulho e alento que só tu sabes sentir e dar.
És tão singular e insubstituível, Mãe. Tão insubstituível, tão insubstituível....
As saudades crescem de dia para dia, mas eu não vou abaixo. Tu também não foste! Como poderia eu ir?! Ensinaste bem a lição e criaste aqui uma familia à maneira. :)
Somos lutadores e resistentes como tu! E aqui, ninguém abdica da felicidade. Ninguém deixa de ver o lado positivo de tudo. Devemos-te isso para sempre!
E olha que tu sabes bem como sou... mas desde daquele dia, que tento (e consigo) todos os dias ver o lado bom de tudo e adaptar-me à vida, para poder Vivê-la! como Tu tantas vezes me aconselhaste.
À tarde fomos montar o novo espaço para o mo.ca.. Tenho a certeza que não ias gostar... é um bocado freak, eu sei. Mas é barato e tem muita luz e muita gente diferente para eu poder aprender coisas novas. Acredito que ali possamos vingar. :)
Sabes, depois de montar as mesas, lembrei-me logo de Ti! Percebi a história das camilhas e saiu-me um:
-Vou pedir à minha Mãe para fazer uma camilha para aqui.
Fiquei tão feliz com o que disse :) Tenho a certeza absoluta que foste tu a falar. Mas não te preocupes, vou fazer uma! E vai ser na tua máquina de costura, com uns galões quaisquer que hei de encontrar por lá :)
Vai ficar linda, tenho a certeza.
Ah, e vou prender tudo com pioneses, como tu fazias aqui!!!!! hehehehe
Espero que te entreguem esta carta aínda hoje, pois estou cheia de curiosidade em ver que balão de S. João me vais enviar como resposta a ela.
Não te esqueças: és o meu primeiro pensamento ao acordar!
Muitos abraços meus para ti, daqueles que só tu sabes aguentar :)
PS- obrigada por me teres visitado hoje nos sonhos :) Foi uma delícia ter-te tão perto :)
mais um beijo
19.5.11
1.2.11
18.1.11
14.1.11
13.1.11
"Não estou a gostar nada disto"
Fechaste-me a porta hoje.
Penso que foi durante a noite que saiste de fininho... senti um frio agudo no sonho e pensei que tinha destapado os pés. Afinal, foi só a corrente do ar que a porta deixou passar.
Hoje despertei num dia de Sol. E na dança do meu ritual tentei espreitar-te.
Primeiro a surpresa, depois a raiva e no fim, talvez por fim, o alívio.
Acabaram-se as curiosidades, os massacres de te ver tão diferente. Tão opostos se tornaram os nossos tortuosos caminhos... Lembraste dos tempos de Ermita?
A tua agressividade verbal, que tanto me fez tremer e respirar fundo deixou de pertencer ao (meu) quotidiano. Os teus lábios a expelirem as saudades da outra, diziam que não eras capaz de me falar, de encontrar em mim um confessionário, enquanto revelavas a tua ignorância total do que sou.
Julgamento, juíz, juíza, condenação.
(e eu, nem um curso superior acabei... como pudeste tu, algum dia, pensar que estudei para Juíz?!)
J U L G A R
Sabes, são escassos os dias em que não acordo com as tuas palavras pulverizadoras. Incrivel, não é? Até eu fico surpreendida com tamanha importância que te dei, que aínda dou! Depois deste tempo todo.... São muito poucos os meus dias livres de ti. Esta cicatriz aínda lateja de fresco apesar do pó que a cobre. Pergunto: Entenderás isto algum dia?! E eu, esquecerei?!
Namoros como o nosso, não permitem que algumas palavras sejam ditas.... ou então arruinam-se almas, condenam-se ao lodo dos pensamentos maus. E a partir daí, tudo é possível porque nada mais na vida, nem o correr da água do cano, volta a ser igual. É como se te mutilassem depois de horas e horas de tortura. Não há momentos de descanso. Não há como voltar a juntar as peças. A erosão dos cacos abunda. A dor é profunda.
Mas aínda te via de soslaio, numa espécie de masoquismo curioso, de quem não conseguia, te largar... me largar!
Psiu.... Levas contigo o meu passado, não te esqueças.
Fizeste-me um favor e saíste de fininho, apagando as tuas pegadas, trancando a porta para o entrada do teu caminho. Assim é mais fácil para mim. Assim o espero.
No entanto, no meio disto tudo agradeço a tua saída.... e teres voltado a despertar em mim a vontade sincera e íntima de escrever.
Até uma próxima vida; quem sabe dessa vez, "a gente" acerte a nossa vida.
23.12.10
Saudade
Diz-me que tens saudades minhas!
Que não te esqueceste do meu abraço, que sentes falta dele...
Diz que tens saudades de ouvir os meus disparates, os meus dramas, a minha vida, o meu eu (de resto, perdi-o pelo caminho turtuoso da vida que me leva)
Bate-me à porta, aparece no virar de uma esquina, numa caixa do supermercado, no café ao fundo da rua; Manda-me uma mensagem, um email, um postal... daqueles grátis que só tens de juntar um selo... e se não tiveres dinheiro para o pagar, pede para cobrar no destinatário que essa alegria, para mim, não tem preço.
Não percas tempo, escreve só. Não inventes falta de tempo.... que a minha saudade tem tanto tempo.
Escreve só
S A U D A D E
num guardanapo de papel, num lenço, numa folha de papel higiénico, numa parede qualquer, no vidro, com baton, pasta dos dentes, tintura de iodo, sei lá, um pigmento qualquer que até dum fósforo apagado consegues extraír.
1 minuto em ti, uma vida recarregada em mim.
Mas por favor, lembra-me que não estou só na luta.
Diz-me só, que tens saudades de mim.
12.12.10
19.10.10
Dia-a-dia
Disseram-me, há coisa de 3 dias, não mais:
-Sabes, hoje li um relatório onde dizia que o multitasking é perigoso.
Vindo de quem vem, uma afirmação daquelas trazia água no bico. Curiosa, não deixei de sorrir e perguntei:
-Então porquê?
-Sabes, lá dizia que isso torna as pessoas superfíciais...
-Aaaahhhh
Sorrri e mais não disse.
Cá dentro não senti perigo ou receio, mas o alívio de saber que há um caminho para a Liberdade emocional....
7.8.10
2.2.10
A Ana quer
nunca ter saído da barriga da mãe
cá fora está-se bem
mas na barriga também era divertido
o coração ali à mão
os pulmões ali ao pé
ver como a mãe é
do lado que não se vê
O que a Ana mais quer ser
quando for grande e crescer
é ser outra vez pequena
não ter nada que fazer
se não ser pequena e crescer
de vez em quando nascer
e voltar a desnascer
a Ana quer.....
(Manuel António Pina in O Beco dos Gambozinos)
Palavras desenhadas por outros que fizeram de mim, aquilo que hoje sou (também). Memórias de tempos distantes, de vidas que tive e hoje, vejo-as livres do que sou.
A inocência de um dia, presente no presente dum corpo que todos os dias cresce mais um pouco e envelhece, - outro dia que acaba, menos um que começa - A luta contra a demência da vida adulta negra e pouco romântica; a luta do ser Adulto que não sabe viver sem a cor da imaginação.
A busca perene da simplicidade de Ser.
o deixar-se Sentir...
25.1.10
22.1.10
31.12.09
La Lumière! La Lumière!
E de repente, no silêncio feito de 2 seres adormecidos, ele gritou:
- La lumière! La lumière!
Sorte ela ter aprendido de véspera o significado de tal palavra. Num ápice saiu da cama e acendeu-lhe a luz. No meio da adrenalina libertada pelo momento ele mirou-a sem a ver.
Levantou-se atónito, como que a desejar que ela não estivesse ali. Sentiu que ela lhe pedia uma explicação, mas ele não a queria dar. Ela aínda não estava no nível de intimidade suficiente para que ele sentisse vontade e à vontade para a partilha de tal sonho.
Desceu as escadas cambaleante deixando-a no quarto, nua, despida de afecto.
Não o consegiu evitar, não o quis evitar, precisava de ar.
Balbuciando meia duzia de palavras em francês, passou a ideia da porta mal fechada. Verificou a sua duvida, bebeu 2 grandes copos de água e dirigiu-se para a dispensa, devorando uma amostra de cada doce lá presente.
Enquanto isso, ela no quarto deitada, depois sentada, ansiosa, tremelicante e agoniada pensava no que devia fazer:
- Desço? Deixo-o só? Ele parece querer estar só....como estará?
...sente-o...
Saiu do quarto, desceu 3 degraus e sentou-se na escada perguntando timidamente se estava tudo bem... Ele, frio e distante respondeu-lhe com um alegre "oui", como se a quisesse deixar tranquila, ao mesmo tempo longe dele... precisava de se acalmar só. Ao ritmo de quem se esqueceu de como é viver lado a lado com a partilha. De sorriso terno ela acenou, respeitando o espaço que não era dela. Não mais abriu a boca, não deixou sair de dentro de si um gesto menos solidário. De cotovelos nos joelhos e mãos no queixo observou-o tentado compreendê-lo.
O silêncio é feito de interrogações
Subiram as escadas distanciados. Deitaram-se e não se agarraram.
Ele, com a respiração ofegante, forçou-se a adormecer enquanto era constantemente interrompido pelos tiques e espasmos que as emoções contidas não conseguiam evitar libertar.
Ela não mais fechou os olhos e em silêncio tudo questionou. Em silêncio divagou e temeu. Primeiro, os segundo fizeram-se minutos; depois, os minutos horas e o tempo obrigou-a a mexer-se, a serenar.
Foi a vez dela sorrateiramente levantar-se. Ele ouviu-a, percebeu a insónia e do mais amável que consegiu ser afirmou-lhe: "Tirei-te o sono..." Ela voltou a acenar e disse-lhe para não se preocupar. Beijou-lhe a testa, vestiu uma camisa dele e saiu do quarto.
Desceu as escadas, sentou-se no sofá, leu, pensou, reflectiu, observou todos os cantos da casa que não era a sua, memorizou recantos e pormenores. Mas só depois de se confessar com a caneta é que o sono chegou.
Distanciou-se do passado, desdramatizou os medos. Tomou decisões e voltou ao presente.
As horas tinham passado (até o chilro dos pássaros já ecoava por entre as árvores do jardim. Havia uma oliveira naquele jardim) e os momentos bons que até então tinham vivido fizeram-na ver que eram maiores do que aquilo que um sonho mau poderia provocar. Fechou o caderno e pousou a caneta. Fechou os olhos, respirou fundo e sorriu.
Subiu as escadas com pezinhos de algodão, abriu a porta, despiu-se e deitou-se ao lado do seu novo amor.
Ele semi-adormecido, quase não se mexeu. Abriu os olhos, sorriu-lhe e esticou o pé esquerdo até chegar ao pé dela. Tal como há pouco não conseguia explicar-lhe o sucedido, agora sente um íman a puxá-lo ao encontro daquela mulher. Ao tocá-la, a respiração de ambos voltou ao normal: tranquila, plena, descansada.
A partir de então 1+1 fizeram-se 2
amor, amor, amor
27.12.09
18.12.09
12.12.09
Já houve tempos
Já houve tempos em que tinha um ninho feito de espaço amplo, pintado a emoções de todas as cores. Onde o frio era tanto que só o calor humano o conseguia amainar.
Já houve tempos em que despertava com o chilrear do rio e o correr das aves. Em que os dias eram feitos de noites lunares, de manhãs estrelares e de tardes de sonho. O tempo não sabia contar e os apetites comandavam o meu caminhar.
Já houve tempos que hoje são narrativas. Contadas de olhos brilhantes projectando memórias a cada articular dos lábios. Já houve tempos em que era Feliz e não sabia, como talvez agora o sou e só em tempos o saberei.
22.11.09
12.9.09
Estórias d'encantar
Ele abriu a porta do quarto onde ela estava deitada.
Entre o branco das paredes, dos lençois, do chão, em posição fetal, vislumbrou-a imóvel, silênciosa, como que a conter tudo aquilo que não queria deixar crescer.
A saudade, a dor, a solidão, o medo... tão fraca, tão pequena, tão desamparada.
Não era preciso ser adivinho para ver que guardava todas as forças que não sabia ter, para se manter firme. inteira. A respiração tranquila, os olhos parados, perdidos e fixados num ponto, as mãos cerradas. Parecia que dormia de olhos abertos.
Nunca a tinha imaginado assim. Afinal a guerreira era frágil como uma borboleta em crisálida. Afinal, o seu apoio era fundamental...
Em silêncio, beijou-lhe a testa. Ela mirou-o e sorriu com aquela fachada típica que tantos anos levou a construir e a aprimorar.
-Trouxe-te uma prenda. - disse-lhe baixinho ao ouvido enquanto pousava um embrulho sobre o colchão.
Sem falar voltou a olhá-lo e sorriu-lhe com aquela ternura suprema onde as palavras não têm lugar.
- É o meu cd favorito e uma tisana para te ajudar. Gostas?
Num esforço para verbalizar um agradecimento, encostou-se ao peito quente daquela que era a única pessoa que a conseguia manter de pé.
Só se ouve a respiração de ambos...
Ele saiu do quarto e voltou com o chá pronto. Pôs o cd a tocar, deitou-se ao lado dela e abraçou-a em concha, como se protegesse o ser mais indefeso do Planeta.
E aí ela não aguentou mais e deixou-se descansar.
As lágrimas cairam-lhe silenciosa e descontroladamente pela face, aliviando as dores que a consumiam e destruiam, rejubilando o calor do corpo que sem ela pedir, decidiu tão profundamente a amar.
amor amor amor
Coisas que me passam pela cabeça
Podemos não perder amigos, mas sem duvida que perdemos amizades....
31.8.09
22.8.09
Shiiiu
Os sons cada vez mais escassos, tornam a pouco e pouco o mundo mais mudo, mais surdo... Silêncio que não é de ouro. Silêncio de morte.
Assim de fininho, em jeito de menino que não quer que se saiba das asneiras que fez, instala-se o vazio auditivo; em jeito de tortura emocional; como se medisse até onde podem ser definidos os limites... (nem o bombear do coração se ouve).
- Quando é que tudo acabou?! Porque é que ninguém avisou?!
Pintou-se de cores para disfarçar as dores, fingiu sorrisos e deixou de acreditar.
Entregou-se à morte na esperança de renascer. Um corpo cheio de vigor e vivacidade guarda lá dentro uma alma moribunda que se arrasta.
-Shiiiu ninguém sabe.
-Shiu o quê?! Ninguém quer saber!
19.8.09
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