31.12.09

La Lumière! La Lumière!

E de repente, no silêncio feito de 2 seres adormecidos, ele gritou:
- La lumière! La lumière!
Sorte ela ter aprendido de véspera o significado de tal palavra. Num ápice saiu da cama e acendeu-lhe a luz. No meio da adrenalina libertada pelo momento ele mirou-a sem a ver.
Levantou-se atónito, como que a desejar que ela não estivesse ali. Sentiu que ela lhe pedia uma explicação, mas ele não a queria dar. Ela aínda não estava no nível de intimidade suficiente para que ele sentisse vontade e à vontade para a partilha de tal sonho.
Desceu as escadas cambaleante deixando-a no quarto, nua, despida de afecto.
Não o consegiu evitar, não o quis evitar, precisava de ar.
Balbuciando meia duzia de palavras em francês, passou a ideia da porta mal fechada. Verificou a sua duvida, bebeu 2 grandes copos de água e dirigiu-se para a dispensa, devorando uma amostra de cada doce lá presente.
Enquanto isso, ela no quarto deitada, depois sentada, ansiosa, tremelicante e agoniada pensava no que devia fazer:
- Desço? Deixo-o só? Ele parece querer estar só....como estará?
...sente-o...
Saiu do quarto, desceu 3 degraus e sentou-se na escada perguntando timidamente se estava tudo bem... Ele, frio e distante respondeu-lhe com um alegre "oui", como se a quisesse deixar tranquila, ao mesmo tempo longe dele... precisava de se acalmar só. Ao ritmo de quem se esqueceu de como é viver lado a lado com a partilha. De sorriso terno ela acenou, respeitando o espaço que não era dela. Não mais abriu a boca, não deixou sair de dentro de si um gesto menos solidário. De cotovelos nos joelhos e mãos no queixo observou-o tentado compreendê-lo.
O silêncio é feito de interrogações
Subiram as escadas distanciados. Deitaram-se e não se agarraram.
Ele, com a respiração ofegante, forçou-se a adormecer enquanto era constantemente interrompido pelos tiques e espasmos que as emoções contidas não conseguiam evitar libertar.
Ela não mais fechou os olhos e em silêncio tudo questionou. Em silêncio divagou e temeu. Primeiro, os segundo fizeram-se minutos; depois, os minutos horas e o tempo obrigou-a a mexer-se, a serenar.
Foi a vez dela sorrateiramente levantar-se. Ele ouviu-a, percebeu a insónia e do mais amável que consegiu ser afirmou-lhe: "Tirei-te o sono..." Ela voltou a acenar e disse-lhe para não se preocupar. Beijou-lhe a testa, vestiu uma camisa dele e saiu do quarto.
Desceu as escadas, sentou-se no sofá, leu, pensou, reflectiu, observou todos os cantos da casa que não era a sua, memorizou recantos e pormenores. Mas só depois de se confessar com a caneta é que o sono chegou.
Distanciou-se do passado, desdramatizou os medos. Tomou decisões e voltou ao presente.
As horas tinham passado (até o chilro dos pássaros já ecoava por entre as árvores do jardim. Havia uma oliveira naquele jardim) e os momentos bons que até então tinham vivido fizeram-na ver que eram maiores do que aquilo que um sonho mau poderia provocar. Fechou o caderno e pousou a caneta. Fechou os olhos, respirou fundo e sorriu.
Subiu as escadas com pezinhos de algodão, abriu a porta, despiu-se e deitou-se ao lado do seu novo amor.
Ele semi-adormecido, quase não se mexeu. Abriu os olhos, sorriu-lhe e esticou o pé esquerdo até chegar ao pé dela. Tal como há pouco não conseguia explicar-lhe o sucedido, agora sente um íman a puxá-lo ao encontro daquela mulher. Ao tocá-la, a respiração de ambos voltou ao normal: tranquila, plena, descansada.
A partir de então 1+1 fizeram-se 2
amor, amor, amor

27.12.09

Off

Não consigo deixar de espiar-te... tenho medo de esquecer-te.

18.12.09

Dioptrias das acusações

- Sabes, Tu dás demasiado!...
- Certo... e Tu, sabes receber tanto?

12.12.09

Já houve tempos

Já houve tempos em que tinha um ninho feito de espaço amplo, pintado a emoções de todas as cores. Onde o frio era tanto que só o calor humano o conseguia amainar.
Já houve tempos em que despertava com o chilrear do rio e o correr das aves. Em que os dias eram feitos de noites lunares, de manhãs estrelares e de tardes de sonho. O tempo não sabia contar e os apetites comandavam o meu caminhar.
Já houve tempos que hoje são narrativas. Contadas de olhos brilhantes projectando memórias a cada articular dos lábios. Já houve tempos em que era Feliz e não sabia, como talvez agora o sou e só em tempos o saberei.