Queria eu ontem paz para estar comigo, para te ouvir dentro de mim, para te escrever mais uma carta, para pensar-te livremente e reflectir sobre o tempo que passou desde que deixei de poder tocar-te. (1 mês... e há dias em que parece que foi ontem, outros em que parece ter sido há anos... a relatividade do tempo, o tempo que não tiveste, o tempo que nos roubaram, tanto tempo, tanto tempo).
A vida continua, ninguém sabe da minha vontade e para lamurias já bastam os outros; que Guerreira me chamaste e Guerreira hei de ser só para ti, para que te orgulhes de mim, para que não te envergonhes do que sou, para que eu possa dizer a todos de onde veio a minha garra e tu possas dizer de peito cheio que "eu sou tua"!
Quero tanto que te orgulhes de mim!
Quero tanto que te orgulhes de mim!
Sabes, não tiro o teu anel diário do meu dedo, ainda que o tenha de usar no indicador e que ele esteja sempre a tentar fugir de lá de tão grande que é. Não, tenho coragem para o mandar apertar.
Fomos ontem ao aniversário de um amigo do Jorge. Eram uns quantos de todas as idades: uns novos outros mais maduros, uns grávidos outros já não. Filhos em todo o lado e pais espalhados pela casa. As mães na cozinha e mesmo as mais velhas, não chegam aos teus calcanhares. Nunca ninguém chega aos teus calcanhares.
Agarrei-me um pouco aos mais crescidos e no meio deles alguém trauteava adivinhas antigas, daquelas que tu também conheces e contigo ficaram guardadas. Entre elas uma foi dita por um homem de olhos brilhantes, que entusiasmado pela curiosidade da incógnita da resposta disse:
- "Verde foi meu nascimento e de luto me vesti. Para dar a luz ao mundo mil tormentos padeci."
- É a azeitona! - Gritei eu, instantaneamente, no meio de uma conversa a que assistia, com aquele sorriso que tu gostas, com os poros a libertarem água que em mim, desde que te levaram, não sai em forma de lágrimas mas sim de suor. :)
- "Verde foi meu nascimento e de luto me vesti. Para dar a luz ao mundo mil tormentos padeci."
- É a azeitona! - Gritei eu, instantaneamente, no meio de uma conversa a que assistia, com aquele sorriso que tu gostas, com os poros a libertarem água que em mim, desde que te levaram, não sai em forma de lágrimas mas sim de suor. :)
És Tu a falar, eu sei!
És Tu a fazeres-te sentir, eu sei!
Estás sempre comigo, eu sei!
Tenho saudades Tuas, Tu sabes!
Agradeço-te novamente o Balão de S. João. Preciso dele como de água para viver. E tu, sempre tão atenta e conhecedora de mim como ninguém, mesmo na dor que acredito que sintas por não estares aqui, não me deixas só.
Agradeço-te também a visita nocturna de hoje. Custou-me acordar de tão banal sonho: uma situação tantas vezes repetida, a rotina que nos faz família e nos une para sempre. Sabes, estes hábitos, ainda que criados pela educação, tornam-se genéticos com o uso.
Estava capaz de te levar comigo para a vida real. Ainda acredito que poderei vir a tocar-te outra vez.
Quero falar contigo horas a fio, almoçar num restaurante vegetariano qualquer onde só tu tens prazer em me acompanhar. Quero atender as tuas duzentas mil chamadas diárias e fazer-te outras tantas só porque sim, porque os dedos instintivamente digitam o teu numero no telefone.
Queria eu ontem paz para estar comigo, para ver todos os papelinhos escritos por ti, os postais de aniversário, os números de telefone de alguém, os apontamentos de receitas e caterings que fizemos juntas.
Minha companheira de Luta!
Minha força, Meu incentivo
Minha Mãe!