23.12.10

Saudade

Diz-me que tens saudades minhas!
Que não te esqueceste do meu abraço, que sentes falta dele...
Diz que tens saudades de ouvir os meus disparates, os meus dramas, a minha vida, o meu eu (de resto, perdi-o pelo caminho turtuoso da vida que me leva)
Bate-me à porta, aparece no virar de uma esquina, numa caixa do supermercado, no café ao fundo da rua; Manda-me uma mensagem, um email, um postal... daqueles grátis que só tens de juntar um selo... e se não tiveres dinheiro para o pagar, pede para cobrar no destinatário que essa alegria, para mim, não tem preço.
Não percas tempo, escreve só. Não inventes falta de tempo.... que a minha saudade tem tanto tempo.
Escreve só
S A U D A D E
num guardanapo de papel, num lenço, numa folha de papel higiénico, numa parede qualquer, no vidro, com baton, pasta dos dentes, tintura de iodo, sei lá, um pigmento qualquer que até dum fósforo apagado consegues extraír.
1 minuto em ti, uma vida recarregada em mim.
Mas por favor, lembra-me que não estou só na luta.
Diz-me só, que tens saudades de mim.

12.12.10

Coisas que me passam pela cabeça

A tua (suposta) independência, esconde a profunda solidão.

19.10.10

Dia-a-dia

Disseram-me, há coisa de 3 dias, não mais:
-Sabes, hoje li um relatório onde dizia que o multitasking é perigoso.
Vindo de quem vem, uma afirmação daquelas trazia água no bico. Curiosa, não deixei de sorrir e perguntei:
-Então porquê?
-Sabes, lá dizia que isso torna as pessoas superfíciais...
-Aaaahhhh

Sorrri e mais não disse.
Cá dentro não senti perigo ou receio, mas o alívio de saber que há um caminho para a Liberdade emocional....

7.8.10

Aínda te lembras de mim?!
Da cor do meu sorriso, do cheiro do meu olhar catraio?
Então procura-me. Não me lembro do que sou!

2.2.10

A Ana quer
nunca ter saído da barriga da mãe
cá fora está-se bem
mas na barriga também era divertido
o coração ali à mão
os pulmões ali ao pé
ver como a mãe é
do lado que não se vê

O que a Ana mais quer ser
quando for grande e crescer
é ser outra vez pequena
não ter nada que fazer
se não ser pequena e crescer
de vez em quando nascer
e voltar a desnascer
a Ana quer.....
(Manuel António Pina in O Beco dos Gambozinos)

Palavras desenhadas por outros que fizeram de mim, aquilo que hoje sou (também). Memórias de tempos distantes, de vidas que tive e hoje, vejo-as livres do que sou.
A inocência de um dia, presente no presente dum corpo que todos os dias cresce mais um pouco e envelhece, - outro dia que acaba, menos um que começa - A luta contra a demência da vida adulta negra e pouco romântica; a luta do ser Adulto que não sabe viver sem a cor da imaginação.
A busca perene da simplicidade de Ser.
o deixar-se Sentir...

25.1.10

quem sou eu...

... quando escrevo?!

22.1.10

Querem, à viva força, que te chore enquanto aínda vives...!
Olho-os e penso: Coitados dos que não percebem que tenho a tua morte toda para o fazer; e que o tempo a teu lado, enquanto aínda sorris, é demasiado precioso para ser desperdiçado com lágrimas de anticipação.