Ele abriu a porta do quarto onde ela estava deitada.
Entre o branco das paredes, dos lençois, do chão, em posição fetal, vislumbrou-a imóvel, silênciosa, como que a conter tudo aquilo que não queria deixar crescer.
A saudade, a dor, a solidão, o medo... tão fraca, tão pequena, tão desamparada.
Não era preciso ser adivinho para ver que guardava todas as forças que não sabia ter, para se manter firme. inteira. A respiração tranquila, os olhos parados, perdidos e fixados num ponto, as mãos cerradas. Parecia que dormia de olhos abertos.
Nunca a tinha imaginado assim. Afinal a guerreira era frágil como uma borboleta em crisálida. Afinal, o seu apoio era fundamental...
Em silêncio, beijou-lhe a testa. Ela mirou-o e sorriu com aquela fachada típica que tantos anos levou a construir e a aprimorar.
-Trouxe-te uma prenda. - disse-lhe baixinho ao ouvido enquanto pousava um embrulho sobre o colchão.
Sem falar voltou a olhá-lo e sorriu-lhe com aquela ternura suprema onde as palavras não têm lugar.
- É o meu cd favorito e uma tisana para te ajudar. Gostas?
Num esforço para verbalizar um agradecimento, encostou-se ao peito quente daquela que era a única pessoa que a conseguia manter de pé.
Só se ouve a respiração de ambos...
Ele saiu do quarto e voltou com o chá pronto. Pôs o cd a tocar, deitou-se ao lado dela e abraçou-a em concha, como se protegesse o ser mais indefeso do Planeta.
E aí ela não aguentou mais e deixou-se descansar.
As lágrimas cairam-lhe silenciosa e descontroladamente pela face, aliviando as dores que a consumiam e destruiam, rejubilando o calor do corpo que sem ela pedir, decidiu tão profundamente a amar.
amor amor amor
2 comentários:
uau!! até me arrepiou!!
Meres :) És a primeira a comentar o blog! :)))))) Aliás, nem sei como conseguiste encontrar os "comments" deste post! não os encontro... heheheh Ainda bem que gostaste :) é uma bela historia de encantar, não? **
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