2.2.10

A Ana quer
nunca ter saído da barriga da mãe
cá fora está-se bem
mas na barriga também era divertido
o coração ali à mão
os pulmões ali ao pé
ver como a mãe é
do lado que não se vê

O que a Ana mais quer ser
quando for grande e crescer
é ser outra vez pequena
não ter nada que fazer
se não ser pequena e crescer
de vez em quando nascer
e voltar a desnascer
a Ana quer.....
(Manuel António Pina in O Beco dos Gambozinos)

Palavras desenhadas por outros que fizeram de mim, aquilo que hoje sou (também). Memórias de tempos distantes, de vidas que tive e hoje, vejo-as livres do que sou.
A inocência de um dia, presente no presente dum corpo que todos os dias cresce mais um pouco e envelhece, - outro dia que acaba, menos um que começa - A luta contra a demência da vida adulta negra e pouco romântica; a luta do ser Adulto que não sabe viver sem a cor da imaginação.
A busca perene da simplicidade de Ser.
o deixar-se Sentir...

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